terça-feira, 26 de outubro de 2010


Dagoberto Nogueira já inicia corrida pela prefeitura de Campo Grande





Valdelice Bonifácio



Dagoberto Nogueira tem pela frente nove semanas como deputado federal. Depois disso, a partir de janeiro de 2011, estará sem mandato e livre para articular seu próximo projeto político: concorrer à prefeitura de Campo Grande em 2012.



“Quero tirar a Capital da mesmice tenho muitas idéias para esta cidade”, conta o parlamentar, atual presidente regional do PDT. O deputado federal concorreu ao cargo em 2004 quando obteve 52.929 votos ficando na terceira colocação. Dagoberto relembra que na ocasião, entrou na campanha de última hora. “Eu não tinha me preparado para a disputa. Nem as candidaturas a vereador a gente tinha organizado”, menciona.



Desta vez, está sendo o primeiro nome a dar a largada na preparação para a disputa. “Tenho que começar o quanto antes, já que temos poucos recursos, fazemos campanha na base do esforço”, explica.



Dagoberto já planeja um grande ato de filiações, possivelmente, no mês de março, em Campo Grande.



“Vamos receber pessoas de outros partidos que querem concorrer a vereador, mas que nunca tiveram oportunidade nas siglas onde estão”, diz o parlamentar, já pensando na base de sustentação na Câmara de Vereadores.



Apoio do PT


Dagoberto conduziu o PDT a apoiar Zeca do PT nas eleições deste ano, mas não sabe se irá propor coligação para 2012.



“Primeiro teremos que montar uma estratégia. Não sabemos se será melhor juntou ou separados. Mas do ponto de vista de hoje, acho que talvez seria melhor cada um ter seu candidato a prefeito”, avalia.



O deputado revela já ter falado com Zeca do PT e com o deputado federal Vander Loubet (PT) sobre as eleições de 2012. “Não nos aprofundamos em detalhes. Temos que ver primeiro quem serão os candidatos para depois definirmos se a aliança realmente é melhor para os dois”, pondera.



Presidência do PDT


O mandato provisório de Dagoberto à frente do PDT regional vence em março de 2011. Ele afirma que não faz questão de continuar na presidência do partido e sugere um nome para substituí-lo.



“Temos um deputado estadual eleito, o Felipe Orro. É um bom nome para assumir. Eu faria muito gosto”, revela.



Dagoberto assumiu a sigla depois da recusa de João Leite Schimidt, presidente de honra do PDT, em permanecer no posto. Schimidt já estava afastado do trabalho na legenda quando foi convocado pela cúpula nacional para assumir a presidência da sigla provisoriamente, no ano passado, após deposição (por influência de Dagoberto) do então presidente, deputado estadual Ary Rigo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Prefeito de Anastácio, Cáudio Valério, morre em Campo Grande

Prefeito de Anastácio, Cáudio Valério, morre em Campo Grande






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Laura Holsback
Divulgação



O prefeito de Anastácio, Cláudio Valério da Silva, de 55 anos, morreu em decorrência de uma parada cardíaca, às 3h25 dessa madrugada no Proncor, em Campo Grande. Ele será velado na Câmara Municipal de Anastácio, a partir das 10h30 (horário previsto para a chegada do corpo).
De acordo com a assessoria da prefeitura, há alguns anos Cláudio sofreu um infarto e periodicamente realizava exames. Ontem (20), teve de passar por uma cirurgia urgente para a implantação de pontes de safena, mas teve complicações, e não resistiu.
Severina Maria do Nascimento Valério estava ao lado do marido quando ele passou mal. Ela chegou ao hospital à meia-noite para acompanhá-lo. O prefeito também deixa três filhos, um deles in memória.
Cláudio Valério da Silva estava no segundo ano do seu quarto mandato de prefeito da cidade. Ele foi radialista, professor, poeta, membro da Academia Maçônica Sul-mato-grossense de Letras, Deputado Estadual e Presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul).
A princípio, o sepultamento está marcado para amanhã (22), às 8h, no Cemitério da Colônia Pulador, mas deve ser confirmado após a chegada da esposa no município.
Quem deverá assumir a prefeitura é o vice Douglas Figueiredo, do PSDB.
Recentemente, outro prefeito faleceu por problemas de saúde. Evandro Bazzo, de Jardim, lutava contra o câncer e morreu em 17 de setembro, após ter permanecido internado por uma semana em uma clínica de Campo Grande.
(Matéria editada às 10h05 para acréscimo de informações)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CORONEL PAIM ESCREVE: O SOLDADO E SUA PARTICIPAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO SOCIAL DO BRASIL

 

(Palestra realizada pelo então Tenente Edson Nogueira Paim, no Rotary Club de Aquidauana, em 1962, como representante do Comandante da 1a. Companhia do 9o. B.E.Comb.)

A par do dever constitucionalmente imposto - o de defender o país contra agressão externa e manter a ordem interna – o que, por si só, justificaria a existência do soldado, como elemento fiador de uma condição indispensável para o desenvolvimento social, isto é, para que atinjamos, rapidamente, uma ordem social mais justa, humana e cristã, situação essa a que chegaremos se repudiarmos toda sorte de imperialismo da esquerda ou da direita, se combatermos sem trégua o poder econômico avassalador, que esteja concentrado nas mãos de grupos particulares monopolistas ou de Estados totalitários controlados por partido único, o que vale dizer, das cúpulas partidárias, há, ainda, importantes contribuições das forças armadas de hoje e, portanto do soldado moderno, para o desenvolvimento social do Brasil.

Senão, vejamos:

Ao apresentar-se o conscrito, pela seleção militar são descobertos, muitas vezes, frustros de moléstias contagiosas, cujos portadores, pela ignorância de seu estado, ameaçam a saúde dos comunicantes.

Diagnosticados precocemente seus males, isso possibilita ao doente buscar os recursos necessários á sua cura.

Incorporado, passa o homem a receber cuidados médicos, odontológicos, que o capacitam a resistir aos esforços mais árduos, na instrução militar e na educação física, que contribuem decisivamente para a robustez do homem brasileiro e para a própria eugenia da raça.

Recebendo a alimentação balanceada das forças armadas, cria o soldado o habito de alimentar-se adequadamente.

A imunização compulsória do militar previne inúmeras moléstias contagiosas.

Portanto, é na caserna que se encontra o melhor ambiente para a prática da saúde publica. Daí a necessidade de perfeita coordenação entre os corpos de saúde e das forças armadas e os serviços de saúde publica civil.

Os conhecimentos de higiene ministrados aos oficiais dos corpos de saúde (do exercito, principalmente): Médicos, farmacêuticos e dentistas, capacitam-nos a ministrarem educação sanitária á tropa, cujos conhecimentos serão depois disseminados para o meio civil pra o qual retorna, influenciando quase sempre os elementos que convivem com o reservista.

Cumprindo disposições regulamentares que exigem a alfabetização dos convocados, esta o meio militar contribuindo, decisivamente, para a diminuição do vergonhoso índice de analfabetismo do país e removendo a terrível venda dos olhos desses quase cegos analfabetos, melhorando consequentemente seu nível de vida.

Estranham muitos a interferência indébita de militares nas atividades administrativas do país. Por que será, amigos rotários?

É simples a resposta: é porque o militar também almeja o desenvolvimento do país e o bem-estar de seu povo e porque as forças armadas são uma escola de liderança. De um contingente de 40 conscritos incorporados em Aquidauana, somente um deles havia dirigido mais de 10 homens, assim mesmo apenas os empregados de seu pai. Um mês após, cerca de 30 desses convocados, depois de matriculados no curso de cabos, já começavam a comandar os restantes de seus companheiros.

Voltando as suas ocupações civis, terão naturalmente mais facilidade para galgar postos de direção e, se atingi-los, maiores serão suas possibilidades de êxito. Não é, pois, por acaso que muitas vezes militares ocupam cargos na administração publica. Ninguém iria convocá-los pela condição única de ser militar. Logo, a restrição a fazer-se não deve ser de ordem genérica; a restrição que se impõe deve ser apenas de ordem pessoal, de origem cultural ou de ordem técnica.

Por outro lado, a evolução do nosso tempo e a própria evolução cultural de nossa gente, exige um constante aprimoramento por parte dos quadros militares.

A arte da guerra moderna solicita do militar conhecimento profundo de geografia (física, política e econômica), matemática, física, psicologia, ciências sócias, higiene e outros ramos do conhecimento, que lhe sugerem aplicações em investimentos mais produtivos para a pátria. O militar moderno não se contenta em estudar a arte da destruição, mais quer participar ativamente da tarefa de construção de um porvir melhor, prefere ir gradativamente se adaptando ao mundo futuro que há de vir breve, em que será desnecessária a guerra para a solução de pendências ou divergências de opiniões, em que reinara definitivamente a paz, porque o homem civilizado não briga
Para que os paises belicosos substituam o ideal de guerra pelo de paz, faz-se necessário que seus militares se diluam no povo, convivam com o povo, se identifiquem com o povo, sintam as mesmas alegrias e aflições do povo e se confundam com o próprio povo.

Para isso, as repartições militares de hoje, tem sempre o seu oficial de relações publicas, que é o seu diplomata, o homem encarregado de manter boas relações com as autoridades militares e civis, de atender com fidalguia, e indistintamente a todos os que necessitem dirigir-se a essa corporação.

E, para adaptar-se á realidade social que atravessamos, não prescinde o meio militar, e nem o militar individualmente, de utilizar, para bem servir á coletividade, o mais moderno, complexo e útil ramo de conhecimento – a pratica das relações humanas, que é, com certeza, o vosso ideal, o ideal rotário.

É isso justamente o que fazeis ao receber o representante do comandante da guarnição militar de Aquidauana, Tenente Edson Pierre Marcello para privar convosco, honra que, em seu nome, penhorosamente agradeço.

Acredito Senhores, que o soldado moderno tem realmente um papel relevante no desenvolvimento social do Brasil. Espero que o tenha explanado, ainda que palidamente. Muito obrigado, Senhores rotários!

(Palestra realizada pelo então Tenente Edson Nogueira Paim, no Rotary Club de Aquidauana, em 1962, como representante do Comandante da 1a. Companhia do 9o. B.E.Comb.)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

CoroneL PaiM - Candidato a Deputado Estadual - 12777 (Coligação "A Força do Povo") presente na Campanha de Dilma Presidente

CHAPA DO CORONEL PAIM:


DILMA - Presidente


ZECA DO PT - Governador de MS


DAGOBERTO - Senador


DELCÍDIO - Senador


PASTORA SIMOME PAIM - Deputada Federal - 1236 PDT


CORONEL PAIM - Deputado Estadual - 12777 PDT

quinta-feira, 29 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

A decadência da imprensa brasileira (Emir Sader)

CARTA MAIOR

A imprensa brasileira teve momentos da historia do país em que desempenhou papel determinante. Basta recordar o peso que teve nas mobilizações de desestabilização que levaram ao golpe de 1964, em que jornais como O Estado de Sao Paulo, a Tribuna da Imprensa, o Correio da Manhã, entre outros, tiveram o papel, pela primeira vez, de condutores ideológicos e políticos das forcas opositoras.

Setores da imprensa tiveram também um papel positivo, na campanha das diretas, quando outros tentavam esconder a amplitude do movimento e seu verdadeiro significado.

Assistimos hoje à decadência generalizada dessa mesma imprensa, que martela, cotidianamente, praticamente de forma total e monótona, ataques contra o governo Lula, logrando, no entanto, que apenas 5% da população rejeite o governo, enquanto mais de 80% o apóie. Nunca a imprensa brasileira esteve tão distante e contraposta à opinião do povo brasileiro. Daí seu isolamento e decadência, pelo menos sob sua forma atual.

As organizações Globo, que só possuiam um jornal, sem nenhuma importância, no Rio, antes do golpe, tiveram na ditadura sua grande alavanca, mas, ao mesmo tempo, o golpe insuperável de falta de credibilidade. Ficaram com a marca da ditadura, por mais que tentassem se reciclar, importando colunistas, usando a audiência da televisão para tentar conseguir mais público.

Atualmente dispõe de um trio que atenta contra qualquer credibilidade, que dá a tônica do jornal: Merval Pereira, Ali Kamel e Miriam Leitão. Todos os três se caracterizam por serem as vozes do dono, por sua postura propagandística, sem nenhum interesse no que dizem, nem brilho ou criatividade no que escrevem. São funcionários burocráticos da empresa, que exercem, da maneira que conseguem, seu burocrático papel de opositres, buscando catar supostas fraquezas do governo, que é seu único objetivo.

Nenhum tipo de análise, nenhuma nuance, nenhuma idéia. Para um jornal que precisaría desesperadamente de credibilidade, eles são um tiro no pé, uma confirmação da falta de credibilidade do jornal. O resto do jornal – das manchetes de primeira página às colunas de notícias – padece desse freio da rígida linha editorial, fazendo um jornal sem graça, sem interesse, sem repercussão.

No Rio de Janeiro, o conjunto dos órgãos da empresa, mesmo atuando fortemente a favor de algum candidato, perdem sempre. Lula ganhou nas duas últimas eleições no Rio; os Garotinhos, Sergio Cabral, Paes, mesmo Cesar Maia, se elegeram sem o apoio do jornal, que os atacava. Hoje, contra a vontade majoritária da grande maioria dos brasileiros, ficam de novo, acintosamente, na contramão da opinião do povo e do país, incluído claramente o povo do Rio de Janeiro, que sabe separar programas de diversão que lhe gosta ver, das inverdades que diz o jornal e os noticiários de rádio e televisão da Globo.

Diminuem sua tiragem, perdem público abertamente para a internet, para os jornais gratuitos, para os jornais populares vendidos. Melancolicamente, se arrasta o jornal, na fúria antilulista, sem repercussão política alguma.

O Estadão sempre foi o jornal conservador por excelência, com certa discrição, boa cobertura internacional, posições claramente direitistas. Conforme foi perdendo público para a FSP, que aparecia mais atraente para os jovens, mais ligada à oposicao à ditadura, tratou de rejuvenescer. Como jornal mais organicamente ligado às entidades empresariais, tem uma avaliação mais equilibrada da política econômica, valorizando seus avanços, no marco das críticas tradicionais do liberalismo dos “gastos excessivos do Estado”.

Além do papel do Estado na economia, suas maiores preocupações e críticas ao governo são na política internacional. Sua predileção, em tudo e por tudo, com os EUA, fica ferida com as alianças com os países do Sul do mundo e com os da América Latina em particular. A política externa soberana do Brasil os incomoda profundamente, transformando-se num dos temas mais usuais e violentos dos editorais.

O outro são os movimentos sociais, em particular o MST, que causa ojeriza ao Estadão, pela defesa intransigente do direito à propriedade privada, pilar do sistema capitalista. (O jornal foi praticamente o órgão oficial das passeatas de preparação do golpe de 64, na defesa da “liberdade, da família e da propriedade”, valores aos quais continua fiel.) A liberdade, que inclui centralmente a de “imprensa” (privada, diga-se), protagonizada pela SIP – Sociedade Interamericana de Prensa -, órgão da Guerra Fria, cenário a que o jornal, rançoso, ainda se sente apegado. Os editoriais, sempre, e atualmente Dora Kramer, são os momentos mais patéticos do jornal, saudoso da Guerra Fria.

A FSP é o jornal que mais teve oscilações de imagem. Era um jornal sem nenhum peso até o golpe e mesmo durante boa parte da ditadura militar. O Estadão era o grande jornal de São Paulo. A FSP apoiou ativamente a preparação do golpe militar, sua realização e a instauração da ditadura, cumpriu tudo o que a ditadura determinava, com noticiários que escondiam os sequestros, desaparecimentos, execuções, publicando as versões oficiais, emprestando carros da empresa para a Oban.

Foi ao longo dos anos 80, quando levou Claudio Abramo do Estadão, que a FSP, pela primeira vez, ganhou prestígio, buscando espaço próprio na oposição liberal à ditadura. Pretendeu ser o órgão da “sociedade civil” contra o “Estado autoritário”, conforme a ideología hegemônica na oposição, advinda da teoria do autoritarismo de FHC. (A FSP tirava, todo ano, uma foto no teto do seu prédio na Barão de Limeira, com os que ela consderava os representantes da “sociedade civil”, de empresários a líderes sindicais, como que para expresar físicamente esse vínculo organizado com os setores que se opunham, em graus distintos, à ditadura.)

Consolidou essa imagen emprestando suas páginas para uma certo pluralismo, com um cronista semanal – Florestan Fernandes, Marilena Chaui, entre os mais conhecidos – do PT, e distintos políticos, intelectuais e líderes sociais escrevendo na sua página de opinião.

Desde a eleição de FHC, entrou em decadência, perdendo totalmente a credibilidade que o diferenciava. Colunistas com vínculos pessoais com os tucanos, como Clovis Rossi, Eliane Catanhede, outros, decadentes, como Jânio de Freitas, se arrastam melancolicamente na decadência geral do jornal, o que mais despencou na tiragem e o que mais se transformou nas duas últimas décadas. O filho do Frias pai conduz o jornal pelo abismo da intranscendência e do rancor, se parecendo cada vez mais com a Tribuna da Imprensa da época de Carlos Lacerda.

A Veja se assume, grotescamente, como o Diario Oficial da extrema direita, com paquidermes como colunistas, sensacionlismo de capa, projetando-se como má espécie de bushismo brasileiro. Com dificuldade para conciliar sua imagem de revista de generalidades com esse papel de brucutu da imprensa nacional, foi perdendo aceleradamente tiragem, o que aumenta a crise financeira que levou a empresa a pendurar-se em capitais externos.

Poderia ser menos afetada pela crise generalizada da imprensa, por ser uma revista semanal. Mas a brutalidade da sua orientação política a fez incorporar-se de cheio nessa queda. Terá papel ainda mais truculento na campanha eleitoral, jogando tudo para tentar barra a vitória do governo, esperando-se os golpes mais sujos da campanha da empresa dos Civita.

No conjunto, o cenário da imprensa brasileira – com a única exceção da Carta Capital, entre as publicações diárias e semanais – é deprimente e decadente. Uma vitória de Dilma – que os apavora, seria ficar mais quatro ou oito anos nessa posição de dirigentes opositores -, trará dilemas difíceis para essas empresas. É possível que uma ou outra busque reciclar-se para adaptar-se a novos tempos, em que inclusive tem que contar com o fim de toda uma geração de políticos estreitamente associados a ela, como FHC, Serra, Jereissatti, etc. Isso, associado a uma intensificação da crise econômica das empresas, deve colocar dilemas cruciais para órgãos que assumiram atitudes suicidas, contra a vontade expressa da maioria do povo brasileiro e pagam preço caro por isso.

domingo, 28 de março de 2010

Como os jornais vão sobreviver na era da internet?, por Hal Varian



Enquanto os jornais estão contando com o iPad para "reinventar" a Web (tentando "cobrar" pelo mesmo conteúdo que hoje todo mundo tem de graça), Hal Varian, economista-chefe do Google, trouxe notícias não muito auspiciosas para a mídia impressa...

A circulação dos jornais dos EUA, que vinha caindo desde 1990, desabou nos últimos 5 anos. Se o número de exemplares por domicílio era "maior que 1,2" nos anos 50, na última década foi "menor que 0,6".

Embora a circulação em números absolutos não tenha caído, a população norte-americana cresceu e as receitas com an úncios estão, atualmente, no nível de... 1982. O número de jornais comprados por pessoa, nos EUA, é metade do que era na década de... 60.

Hal Varian considera que a circulação seja um problema de médio/longo prazo, enquanto que a queda nas receitas é um problema de curtíssimo prazo.

Muitos jornais praticamente não chegaram na era da internet, pois menos de 10% de suas receitas vêm do chamado "on-line".

Já pelo lado das despesas, Varian acredita que "se os jornais abdicassem da impressão e da distribuição, cortariam seus custos, no mínimo, pela metade".

Dentro do "bolo publicitário", a participação dos jornais, nos EUA, caiu de "mais de 36%" (em 1949) para "menos de 15%" (em 2009).

Ainda que o PIB suba, e também a renda per capita, as receitas dos jornais, ultimamente, só decrescem...

Para completar, a internet (42%) ultrapassou os jornais (33%) como "fonte de informação", nos EUA, desde 2008.

E um dos problemas econômicos, daqui para frente, é que o modelo de "subsídi os cruzados" (cross subsidization) não funciona mais...

Os jornais, na realidade, nunca ganharam dinheiro com "notícias brutas" (hardnews), mas através de editorias especializadas.

Ocorre que, na internet, as pessoas preferem acessar os sites especializados nessas áreas, e Varian dá o exemplo do Yahoo! Finance, da Amazon, do Orbitz (para Viagens) e do Zillow (para Imóveis).

Mesmo o Google, o pai do AdSense, acha difícil "monetizar" notícias brutas (as únicas que sobraram para os jornais) - porque elas são, por princípio, uma commodity (sem valor agregado).

O desespero da mídia impressa, portanto, é justificado: o que lhes dava dinheiro antes... não poderá mais ser monetizado...

E no Brasil não é diferente (embora os jornalistas disfarcem)...

No mês passado, o IVC divulgava as seguintes quedas, nos nossos periódicos (só no ano de 2009): O Dia (-31,7%), Diário de S. Paulo (-18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S. Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12%), O Globo (-8,6%), Folha de S. Paulo (-5%), Super Notícia (-4,5) e Estado de Minas (-2%)...

Sobrou até para o Google fazer a "lição de casa" dos jornais (e para Hal Varian, a dos jornalistas)...

>>> Newspaper economics: online and offline (áudio | slides)




Literatura >>> A Reinvenção da Leitura, na Época Negócios

Se a mídia brasileira demorou a aceitar o começo do fim dos jornais (em 2008) e a ascensão do Twitter (em 2009), parece mais disposta (em 2010) a falar da explosão do livro eletrônico.

Prova disso é a reportagem de capa da revista Época Negócios que, pela primeira vez, reuniu todos os principais players do mercado editorial numa matéria só.

Começando com Jeff Bezos, o pai do Kindle, passando pelos herdeiros das Organizações Globo, do Grupo Abril, do Grupo Folha, fora editores como Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, e autores como Paulo Coelho, o único brasileiro sob contrato exclusivo com a Amazon.

Faltou, claro, Steve Jobs, falando sobre o iPad, mas sua ausência não chega a ser uma falha.

Ao contrário dos jornalistas - que negam a queda de circulação dos jornais até hoje - os editores parecem mais bem informados e estão se preparando para as transformações, embora defendam, cada um, o seu lado.

Roberto Irineu Marinho, por exemplo, não acha, ainda, que os jornais ou as revistas estejam ameaçados, nem os livros, mas, sim, as gráficas.

Já Luiz Schwarcz afirma que sem editores - com os autores publicando diretamente - "a qualidade do livro vai cair(...), com consequencias nas vendas".

Também Sônia Jardim, da Record, considera que, com preços tão baixos (dos livros eletrônicos), não será possível sustentar toda a cadeia produtiva das editoras nacionais.

E Roberto Civita, naturalmente, prevê a digitalização rápida do "conteúdo noticioso" (jornais), mas nem tão rápida assim dos "meios" (revistas)...

Época Negócios, com muita coragem, se posiciona: embora os anúncios estejam migrando do papel para a Web, eles não estão, necessariamente, se dirigindo para os sites da velha mídia.

Ainda: cobrar por conteúdo não é a solução; numa pesquisa feita no Reino Unido, mais de 90% dos entrevistados não se dispôs a pagar por notícias on-line (em nenhum formato ou "device").

Se os editores tentam contemporizar - pr eservando ao menos seu próprio business - e Época Negócios adota o tom geralmente sóbrio, Paulo Coelho é a voz dissonante, e parte para o ataque: "Vi [entre as editoras] total desorientação"; "Não vendi minhas versões eletrônicas...

As editoras não têm esse direito"; "Pediram meus livros eletrônicos... Não vou dar"; "Tentam criar, agora, um boicote contra as plataformas eletrônicas... Acho uma perda de tempo. Com 3 milhões de produtos para vender, a Amazon não está nem aí...".

Sobrando até para o iPad de Jobs: "Não acredito no iPad(...) Trata-se de um iPhone grande(...)

Não creio que se consiga ler numa tela que emite luz". Schwarcz, talvez sem querer, responde [falando de autores que, como Coelho, prescindiram dos editores]: "Ou o sujeito não entende o verdadeiro papel do editor em todo o processo ou é presunçoso a ponto de achar que pode prescindir de parceiros na edição".

O fato é que, se as editoras se sentiam, até hoje, fora da "digitalização de con teúdos" provocada pela internet, agora não podem mais negar a mudança em curso. E se alguém duvidava que esse movimento chegaria ao Brasil, a reportagem de capa da Época Negócios acaba de dar a resposta...

>>> Época Negócios