terça-feira, 27 de novembro de 2012

Relator da CPI admite retirar pedido contra Gurgel em troca de aprovação (Postado por Lucas Pinheiro)

 O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou nesta terça-feira (27) que, para viabilizar a aprovação do relatório, aceita retirar do texto pedido para que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele disse ainda que considera retirar pedido de indiciamento de um jornalista da revista “Veja”, outro ponto do parecer criticado por integrantes da CPI.

“Se eles se comprometerem em manter o restante do relatório, eu posso abrir mão disso. Essas duas questões são secundárias. O essencial que faço questão que seja mantido no relatório é o organograma da quadrilha”, afirmou Odair Cunha.

Depois de três adiamentos, a leitura do relatório da comissão foi marcada para a manhã desta quarta-feira (28). O relator havia incluído pedido de investigação de Gurgel por considerar que o procurador demorou para investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com autoridades como o ex-senador Demóstenes Torres e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Já o pedido de indiciamento do jornalista se deveu, segundo ele, a gravações telefônicas que demonstrariam relação de ilegalidade com Cachoeira.

O deputado petista vai passar o dia em reuniões para costurar a aprovação do texto. Às 18h, ele se encontra com parlamentares da base aliada, na liderança do PT na Câmara, para fechar a última versão do relatório.

Odair Cunha afirmou que não abrirá mão de pedir o indiciamento do presidente licenciado da construtora Delta, Fernando Cavendish, e destacou que não incluirá pedido de investigação de outros governadores, como o do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). No relatório, o petista só solicita o indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

“Eu considero [o pedido de indiciamento] de Cavendish essencial. Nós temos que nos fixar no essencial”, afirmou. Sobre a inclusão de outros governadores no relatório, Odair Cunha diz não haver provas que justifiquem novos pedidos de indiciamento.

“Quanto ao pedido de inclusão de governadores, os nomes citados não foram investigados. Restou comprovado que não houve conivência, por exemplo, do governador Agnelo com a organização criminosa”, afirmou.

Não haverá tempo para imprimir alterações, portanto, elas serão explicadas oralmente na sessão da CPI desta quarta-feira (27). Segundo Cunha, se não houver acordo em torno das modificações, o relatório original será apresentado.

Pressões
Há pressão por parte de parlamentares do PMDB para retirar o pedido de indiciamento de Fernando Cavendish, e o PSDB se opõe ao pedido de investigação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Por outro lado, um grupo de parlamentares integrantes da CPI entregou na semana passada um relatório “independente” a Gurgel, com pedido para que sejam investigados os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB).
 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Relator deve ler nesta quinta conclusões da CPI do Cachoeira (Postado por Lucas Pinheiro)

 O deputado Odair Cunha (PT-MG) deverá fazer, ainda na manhã desta quinta-feira (22), a leitura do relatório da CPI do Cachoeira, que apresenta as conclusões da investigação sobre a rede de influência do bicheiro acusado de chefiar esquema de jogos ilegais e corromper agentes públicos. O relator deverá ler uma versão resumida, com cerca de 300 páginas, do documento, que possui mais de 5.000 laudas.

A leitura deveria ter ocorrido nesta quarta, mas diante da insatisfação generalizada de parlamentares da oposição com o tempo exíguo para consulta, o ato foi adiado.

Oposicionistas reclamaram sobretudo pelo fato de trechos do relatório terem sido adiantados pela imprensa antes da disponibilização do conteúdo completo no site do Senado. Houve também protestos e críticas pelo alcance da própria investigação e pelo prazo definido para encerrar os trabalhos, no próximo dia 22 de dezembro.

 O relatório de Odair Cunha pediu o indiciamento de 46 pessoas suspeitas de envolvimento criminoso com o grupo de Cachoeira. Ao indiciar, a CPI indica ao Ministério Público indícios de crimes contra determinada pessoa. Com base nas informações, o MP tem poder para abrir uma ação penal na Justiça; no caso de governadores, parlamentares e prefeitos, no entanto, o órgão deve pedir autorização de tribunais superiores para prosseguir com as investigações.

No relatório, Odair pediu mais investigações sobre o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o ex-senador Demóstenes Torres, o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), o prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), e o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, entre outros.

Ficaram de fora o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ) e o senador Wilder Moraes (DEM-GO), suplente do senador cassado Demóstenes Torres, entre outros que foram foco do trabalho da CPI.

O texto de Odair Cunha ainda pede que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue uma suposta omissão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Segundo o relator, em 2009, Gurgel recebeu investigações da Polícia Federal na Operação Vegas que ligavam Cachoeira a Demóstenes, mas "nada fez" na época. No início deste ano, Gurgel, que é chefe do Ministério Público, rebateu as críticas, dizendo que agiu para que as investigações tivessem continuidade em outra operação, a Monte Carlo, que levou à prisão de Cachoeira, em fevereiro.

No relatório, Odair Cunha pede ainda o indiciamento de cinco jornalistas: Policarpo Júnior (revista "Veja") e Wagner Relâmpago ("DF Alerta", da TV Brasília), por formação de quadrilha, e Patrícia Moraes ("Jornal Opção", de Goiás), João Unes (jornal on-line "A redação") e Carlos Antônio Nogueira, o Botina ("Jornal estado de Goiás"), por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A "Veja" disse que o relator suprimiu do texto depoimentos dos delegados que conduziram a investigação atestando que o jornalista não participou ou praticou crimes, e que sua relação com Cachoeira se limitava à obtenção de informações de interesse jornalístico. O jornal "Opção" também negou irregularidades na conduta de sua jornalista.

O relatório também pede mais investigações sobre 117 empresas, incluindo a construtora Delta, firmas regulares ligadas a Cachoeira e outras de fachada suspeitas de repassarem dinheiro da Delta a autoridades e políticos, como propina ou doação ilegal.

A oposição, no entanto, reclamou que 15 empresas "fantasmas" suspeitas de movimentarem R$ 550 milhões não tiveram o sigilo quebrado, para mostrar os beneficiários do dinheiro. Parlamentares pretendem entregar um relatório "paralelo" ainda nesta quinta ao Ministério Público apontando o que falta desvendar.

Além das recomendações ao Ministério Público, o relatório de Odar ainda apresenta 9 anteprojetos de lei, endurecendo penas para jogos de azar e uso de laranjas, por exemplo.

Para por fim à CPI o relatório deve ser apreciado e aprovado pelos membros da comissão. A votação do texto deve ocorrer em pelo menos cinco dias úteis após a leitura do relatório.

Cachoeira foi condenado nesta terça (20) a cinco anos de prisão pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A mesma decisão, porém, determinou sua soltura, após nove meses de prisão preventiva. O contraventor ainda responde a outra ação, na Justiça Federal de Goiás, decorrente das investigações das operações Vegas e Monte Carlo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Deputado do PSDB suspeito de ligação com Cachoeira depõe na CPI (Postado por Lucas Pinheiro)

 Depois de mais de um mês de reuniões suspensas por causa das eleições municipais, a CPI do Cachoeira retoma os trabalhos nesta terça-feira (9) com o depoimento do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), suspeito de ter envolvimento com o contraventor, preso em fevereiro sob acusação de comandar uma rede de jogos ilegais e corromper agentes públicos.

Nesta segunda (8), o deputado afirmou que comparecerá à comissão. "Estarei lá e respondendo a todas as perguntas que me forem feitas" disse. Esta é a segunda vez que o tucano é convocado para responder a perguntas dos parlamentares que integram a CPI.

No começo de setembro, Leréia tinha audiência marcada, mas, no dia determinado, enviou comunicado à comissão dizendo que não iria comparecer. A secretaria da CPI informou, na ocasião, que Leréia tinha alegado compromissos pessoais anteriormente assumidos.

Para o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), a convocação do tucano desvia o foco da CPI. Segundo ele, a comissão deveria apurar desvios de recursos públicos operados através da construtora Delta, empresa que mantém contratos com o governo federal e governos estaduais.

As investigações da Polícia Federal apontam que a Delta repassou dinheiro para empresas de fachada ligadas a Cachoeira, supostamente usado para pagamento de propina e caixa dois em campanhas.

 "Vai ser uma repetição. A questão é que estão valorizando o assessório e esquecendo o essencial. O essencial é o desvio de dinheiro público através da Delta. Há uma coleção de ilícitos praticados por pessoas poderosas. Portanto, o depoimento do Leréia não acrescenta absolutamente nada em relação ao objetivo da CPI", disse Alvaro Dias.

A reunião da comissão nesta terça, dois dias após o primeiro turno das eleições municipais, não contará com a presença de alguns parlamentares petistas. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou ao G1 que não comparecerá porque participará de encontro do diretório do PT em São Paulo.

O líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP), que costuma participar das reuniões da CPI e fazer perguntas na condição de líder partidário, também afirmou que não comparecerá ao depoimento de Leréia.

"Vou participar de uma reunião com a ministra Ideli Salvatti [de Relações Institucionais] às 10h, no Palácio do Planalto. Acho que de tarde não vou à reunião da CPI", afirmou.


Denúncias
Segundo a Polícia Federal, Leréia mantinha relação próxima com Cachoeira e, conforme gravações de escutas telefônicas, chegou a receber a senha do cartão de crédito do bicheiro.
O própro Leréia chegou a afirmar no plenário da Câmara, em maio, que era amigo do bicheiro. Na ocasião, o deputado lembrou que era aniversário de Cachoeira.

"Meu nome é citado várias vezes como uma pessoa que falou frequentemente com o senhor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que, por sinal, faz aniversário hoje”, disse Leréia. “Está preso aí na Papuda. Faz 49 anos e é meu amigo pessoal”, disse o deputado na ocasião.

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal e que estão com a CPI mostram a proximidade entre o deputado e o bicheiro. Em uma das gravações, feita no dia 3 de junho de 2011, Leréia afirma que estava indo à sede da Construtura Delta para conversar com Cachoeira.
As interceptações telefônicas, de acordo com a CPI, dão conta ainda de que repasses de dinheiro eram feitos ao deputado. Ele teria recebdio cerca de R$ 85 mil.

Requerimentos
Já na quarta (10), os integrantes da comissão se reúnem a partir das 10h15 para análise de requerimentos. Há mais de 300 requerimentos acumulados. Entre eles, os que pedem a quebra de sigilos das empresas suspeitas de serem fantasmas no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), além dos requerimentos, os líderes partidários que compõem a comissão também devem começar a analisar o pedido feito pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) para prorrogar a CPI.

A comissão tem prazo para funcionar até o dia 4 de novembro, mas pode ser prorrogada por mais 180 dias. Para que a prorrogação aconteça, são necessárias, no mínimo, 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara, mesmo número que foi preciso para a criação da comissão.

sábado, 15 de setembro de 2012

Corregedoria investiga juiz acusado de vender sentença a Cachoeira (Postado por Lucas Pinheiro)

 A corregedora-geral de Justiça do estado de Goiás, desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, abriu nesta semana procedimento administrativo para investigar o juiz Avenir Passo de Oliveira, da 3ª Vara de Fazenda Pública de Goiás, suspeito de vender sentença ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A abertura de investigação pela corregedoria estadual foi determinada pelo novo corregedor nacional de Justiça, ministro Francisco Falcão, que assumiu o cargo no último dia 6, em substituição a Eliana Calmon.

 O G1 procurou o juiz por meio da assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás, que informou não ter conseguido manter contato com ele. De acordo com a assessoria, um recado foi deixado na caixa postal do celular do magistrado.

Avenir Passo de Oliveira já responde a processo por corrupção passiva no Tribunal de Justiça de Goiás. Ele foi denunciado pelo Ministério Público em 2008 por ter supostamente recebido R$ 95 mil em propina para conceder, em 2002, uma decisão favorável à Gerplan, empresa constituída por Cachoeira para explorar jogos de azar em Goiânia.

Na ocasião, uma lei estadual autorizava a existência de casas jogos, o que foi questionado em ação do Ministério Público de Goiás.

De acordo com a denúncia, por intermédio de um procurador, o juiz teria combinado com Cachoeira o recebimento dos R$ 95 mil.

Em troca do dinheiro, Avenir Passo de Oliveira teria considerado improcedente ação civil pública na qual o Ministério Público alegava ser ilegal contrato da Gerplan com o estado de Goiás.

O Tribunal de Justiça do estado aceitou a denúncia do MP-GO em julho do ano passado, mas ainda não julgou o caso.

 O processo administrativo na corregedoria deverá ser mais rápido. De acordo com a desembargadora Beatriz Figueiredo o prazo para concluir a investigação é de 60 dias, mas pode ser prorrogado por igual período. As penas disciplinares previstas na legislação vão de advertência a aposentadoria compulsória e demissão.

A corregedora afirmou ao G1 que vai avaliar se pede acesso ao inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou em fevereiro na prisão de Cachoeira, apontado como chefe de uma quadrilha que explorava o jogo ilegal em Goiás.

“Eu pedi cópia do processo ao Tribunal de Justiça de Goiás. Ainda não sei se vou pedir o inquérito da Operação Monte Carlo, que tem informações mais recentes. Ainda vou avaliar”, disse.

A desembargadora informou que já comunicou o ministro Francisco Falcão sobre a abertura do procedimento de investigação.

“Esse fato, por algum motivo, não foi objeto de apuração da corregedoria, mesmo havendo uma acusação criminal. Por isso, o CNJ determinou a abertura de investigação”, afirmou a desembargadora, que assumiu a corregedoria em fevereiro de 2011.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

CPI do Cachoeira adia trabalhos até o fim das eleições (Postado por Lucas Pinheiro)

 O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI Mista que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários, anunciou nesta terça-feira (4) a suspensão temporária dos trabalhos da comissão.

De acordo com Vital, a falta de quórum motivada pelo período eleitoral foi o principal motivo da suspensão. A parada temporária da comissão foi anunciada após reunião dos líderes partidários da CPI na tarde desta terça. Apenas o PPS não concordou com a decisão.

 “Os fatos se impõem à realidade. Até o final de setembro, não tem como se colocar parlamentar aqui, com a base pressionando pela sua presença na disputa municipal”, disse o senador.

Pelo calendário anunciado, a CPI só voltará a se reunir na primeira semana de outubro, quando o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG) pretende apresentar um relatório preliminar dos trabalhos da comissão. Novas oitivas de testemunhas e a realização de reuniões administrativas para a quebra de sigilo de empresas ligadas à Construtora Delta,suspeita de participar do esquema do contraventor, só devem ser decidas após a as eleições.

Segundo o presidente da comissão, ainda não há definição sobre uma possível prorrogação dos trabalhos da comissão, que oficialmente encerram em novembro. De acordo com Vital do Rêgo, ainda há a possibilidade de estender a linha de investigação da CPI ou até mesmo encerrar a atual comissão e se criar uma nova, caso seja assim definido pelos parlamentares.

“A CPI está indo para o seu término do fato que se propôs, que era investigar as relações do senhor Carlos Cachoeira na região centro-oestre. Este fato está absolutamente em dia. A demanda agora é saber se vamos estender a CPI para as relações empresariais da Delta com empresas de fachada e com o poder público”, disse o senador.

 Nesta terça, a reunião da comissão que seria para a oitiva de testemunhas não contou com nenhum depoimento. O ex-funcionário da construtura Delta André Teixeira Jorge foi liberado pelo presidente da CPI. Jorge conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal que lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio.

Já o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que tinha depoimento previsto para esta terça, não compareceu. Leréia encaminhou um comunicado à CPI dizendo que não iria. O comunicado foi lido pelo presidente da comissão, que anunciou que irá definir a data do novo depoente. A deta do novo depoimento do deputado ainda não foi anunciada.

Carlos Alberto Leréia é considerado suspeito de ter envolvimento com os negócios do contraventor. Segundo a Polícia Federal, Leréia mantinha relação próxima com Cachoeira e, conforme gravações de escutas telefônicas, chegou a receber a senha do cartão de crédito do bicheiro.
Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal e que estão com a CPI apontam a proximidade entre o deputado e o contraventor. Em uma das gravações, feita no dia 3 de junho de 2011, Leréia afirma que estava indo à sede da Construtura Delta para conversar com Cachoeira
 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ex-funcionário da Delta é liberado e deputado não vai à CPI (Postado por Lucas Pinheiro)

 O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da CPI Mista que investiga as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários, dispensou na manhã desta terça-feira (4) o ex-funcionário da construtura Delta André Teixeira Jorge.

O ex-funcionário tinha um habeas corpus para permanecer calado. Mesmo assim, o presidente da comissão perguntou se Jorge aceitaria falar em sessão fechada. Ao anunciar que não falaria, o ex-funcionário da Delta foi dispensado pelo presidente da comissão. A liberação do depoente foi criticada pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR).

“Isto aqui é uma CPI de brincadeira. É isto que estamos vendo. Eu fico muito entristecido com procedimento [...] Estamos vendo aqui que não há uma vontade maior de buscar [investigações]”, disse o deputado.

O vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), afirmou que a comissão está fazendo um trabalho “intenso” para elucidar os fatos, e que todas as contribuições contarão no relatório final. “Eu creio que o procedimento de hoje não tinha como ser diferente [liberação do depoente]”.

A Polícia Federal suspeita que Jorge tenha sido usado como “laranja” pelo grupo de Cachoeira. Segundo a PF, a evolução patrimonial e movimentações financeiras de Jorge são incompatíveis com os rendimentos declarados.

 A Delta, onde Teixeira trabalhava, aparece nas investigações da PF como um dos braços empresariais do grupo de Cachoeira. A empresa é suspeita de ter recebido dinheiro de empresas fantasmas ligadas ao esquema do contraventor. Após a liberação do depoente

Deputado
Já o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que tinha depoimento previsto para esta terça, não compareceu. Leréia encaminhou um comunicado à CPI dizendo que não iria. O comunicado foi lido pelo presidente da comissão, que anunciou que irá definir a data do novo depoente. O deputado deve depor na primeira semana de outubro.

Carlos Alberto Leréia é considerado suspeito de ter envolvimento com os negócios do contraventor. Segundo a Polícia Federal, Leréia mantinha relação próxima com Cachoeira e, conforme gravações de escutas telefônicas, chegou a receber a senha do cartão de crédito do bicheiro.

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal e que estão com a CPI apontam a proximidade entre o deputado e o contraventor. Em uma das gravações, feita no dia 3 de junho de 2011, Leréia afirma que estava indo à sede da Construtura Delta para conversar com Cachoeira.

Reunião administrativa
Ainda na sessão, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) convocou para a tarde desta terça uma reunião de líderes com o objetivo de marcar uma reunião administrativa para a apreciação de requerimentos.

Parlamentares pressionam pela votação de requerimentos que pedem a quebra de sigilos de empresas suspeitas de relação com o esquema do cotraventor.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Demóstenes recebeu caixa dois de empresa ligada a Cachoeira, diz CPI (Postado por Lucas Pinheiro)

 Documentos obtidos pela CPI Mista que investiga as relações de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários indicam que o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) recebeu R$ 30 mil de uma empresa ligada ao esquema do contraventor, durante campanha eleitoral de 2010.

O depósito não aparece na prestação de contas do então senador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A operação, segundo documentos da CPI, ocorreu em setembro de 2010, quando Demóstenes concorria à reeleição no Senado. Em julho deste ano, ele teve o mandato parlamentar cassado por quebra de decoro, em razão dos vínculos com Cachoeira.

Nesta terça, o G1 procurou por telefone o ex-senador, mas, até a última atualização desta reportagem, não tinha conseguido localizá-lo. Informação do Ministério Público de Goiás, onde Demóstenes Torres voltou a atuar como procurador de Justiça após ter deixado o Senado, é que ele está em licença médica.

A Alberto & Pantoja, que, segundo a Polícia Federal, é uma empresa fantasma vinculada ao grupo de Cachoeira, teria efetuado o depósito para a empresa Comercial de Bebidas Rolim.

 Em documento encaminhado à comissão mista no dia 24 de julho de 2012, Arlei Sousa Lacerda, responsável pela Comercial de Bebidas Rolim, afirmou que não sabia a origem do dinheiro recebido pela empresa.

Segundo ele, o recurso foi usado para pagar despesas de campanha do então senador Demóstenes Torres.

O depósito foi constatado por meio da quebra do sigilo bancário e fiscal da Alberto & Pantoja que foi encaminhado à CPI. A empresa é suspeita de receber recursos da Construtora Delta para suposta lavagem de dinheiro.

“Em atenção ao ofício de número 474/2012-CPI-Vegas cumpre-nos informar a esta comissão que o depósito de R$ 30 mil efetuado em conta da nossa empresa em 30 de setembro de 2010 e que só agora somos informados de sua origem, destinou-se a cobrir despesas de campanha em favor do então senador Demóstenes Torres, da qual participamos em nossa Cidade de Planaltina-GO”, disse o responsável pela empresa, em documento encaminhado à CPI.

 Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o repasse de recursos de R$ 30 mil não consta na prestação de contas feita pelo ex-senador. O comitê de campanha também não prestou contas do recurso recebido pela empresa de bebidas.

Afastamento
O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) designou o conselheiro Fabiano Augusto Martins Silveira como relator do pedido para que o ex-senador de Goiás Demóstenes Torres seja afastado do cargo de procurador de Justiça. Segundo a assessoria, ele teve acesso ao processo na noite de segunda (27). Há possibilidade do relator dar decisão ainda nesta terça sobre o pedido de afastamento.

No dia 20 de julho, Demóstenes reassumiu o cargo no Ministério Público de Goiás, após 13 anos longe da instituição e dois dias depois de ter o mandato de senador cassado em Brasília, no dia 11 de julho.

O pedido protocolado é uma representação para avocação de reclamação disciplinar, instauração de processo administrativo disciplinar e pedido de suspensão/afastamento cautelar de Demóstenes, enquanto durarem as investigações contra ele.

O advogado de Demóstenes Torres, Antônio Carlos de Almeida Castro, informou ao G1 na tarde de segunda que o ex-senador ficou sabendo do pedido de afastamento pela imprensa e que, assim que for intimado, apresentará sua defesa.

 Cassado
Demóstenes Torres teve o mandato parlamentar cassado no último dia 11 de julho. Ele foi acusado de quebra de decoro parlamentar, suspeito de ter utilizado o mandato parlamentar para beneficiar os negócios do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Em votação secreta, 56 dos 80 senadores presentes votaram pela cassação, 19 foram contra e houve cinco abstenções. Com o resultado, Demóstenes se tornou o segundo senador cassado no Brasil; o outro foi Luiz Estevão, em 2000.

Com a cassação aprovada, Demóstenes Torres teve seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do fim do mandato parlamentar, que se encerraria em 2019. Dessa forma, Demóstenes só poderá voltar a disputar eleições a partir de 2027, quando tiver 66 anos.

Desde o início das denúncias, ele alegou que sua relação com Cachoeira, revelada em gravações da Polícia Federal, se limitava à amizade e que não sabia de qualquer atividade ilegal.